Hoje recebi um email de uma amiga professora de empreendedorismo na UNIP sobre o cumprimento de metas em empresas. Isso originou uma discussão interessante sobre o paradoxo do tratamento a funcionários em empresas. Mais ainda se estendermos esse debate para o ambiente de sala de aula, no qual os alunos são constamente cobrados a cumprirem metas.
Um bom plano de metas (metas = objetivo + planejamento) é importante em qualquer atividade de nossa vida. Nos dá um norte e indica o caminho para atingi-lo. Dentro do modelo corporativo capitalista dos dias de hoje , as empresas se apoiam em programas de metas os quais crescem a medida que vão sendo cumpridos. Isto é bastante saudável e necessário para impulsionar qualquer compania e deve servir de modelo tanto para vida pessoal quanto para a vida acadêmica.
O problema é que esbarramos quase sempre em um tênue limite quando falamos de motivação e cumprimento de metas entre a cobrança e a obsessão . São inúmeras as empresas gerenciadas com base em números e projeções constantemente pressionadas por uma concorrência acirrada cabeça-a-cabeça em um ambiente capitalista extremamente selvagem e inclemente.
Vai dizer q na sala de aula também não é assim?
Este ambiente competitivo gera descontroles emocionais principalmente por parte de pessoas despreparadas em gerir pessoas. Alguns efeitos conhecidos são: assédio moral, humilhações, o constante fantasma da demissão, concorrência entre colegas de equipe (muitas vezes desleal), altos indices de strees no trabalho, etc. As causas: metas excessivamente altas, muita pressão, uma política motivacional baseada no medo e na repreensão, etc.
Não há ser humano que aguente... Tenho uma amiga q trabalhou em 3 grandes lojas de marca em um Shopping de elite de São Paulo e ela narrou tudo isso, em todas. A rotatividade de funcionários , alias, é gigantesca!
muitas vezes em sala de aula encontramos professores com essas mesmas atitudes e posturas.
Outro dia li um artigo em uma revista que dizia q uma pesquisa americana revelou que elogiar os funcionários reduz a produtividade: eles se acomodam. Ou seja, o certo é ficar como o carrasco no tambor no porão dos navios que vemos em filmes?
Minha experiência como professor me diz que temos de ser ora caridosos, meio pais, ora temos de ser bem rígidos, quase maus. Cada aluno, assim como cada funcionário, irá funcionar com um estilo determinado.
Contudo, o fato é gerir pessoas dentro de uma política de metas exige muito preparo e atenção. Não é vociferar ordens somente ou manter as rédeas curtas pelo medo. Isso pode até funcionar a curto prazo mas se cria uma bomba cuja explosão é questão de tempo (e aí que as metas vão pro buraco mesmo). O que percebo são muitas pessoas prestando atenção em gráficos e metas e não nas outras pessoas, não no relacionamento e na gestão de pessoal.
A culpa não é das metas, mas de quem as delinea e de que as cobrará.
Abs
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