quarta-feira, 29 de junho de 2011

Educar não é só ensinar

Olá, amigos
Sou professor desde 2001, quando comecei a ministrar aulas de arte para um público carente numa escola pública na Vila Prudente (São Paulo). Nesta época encarava o trabalho de professor como uma forma relativamente fácil de ganhar dinheiro e ao mesmo tempo fazendo algo que gostava. Dava minhas aulas baseado nos conhecimentos técnicos que tinha e na experiência que acumulará (pouca na época).
Muitos alunos passaram na minha mão e acho que desempenhei relativamente bem meu papel, sendo bastante exigente com os alunos, algo que se tornou uma marca minha.
Em 2007, minha atividade professoral se ampliou significamente com o ingresso no ensino superior, através dos cursos de Comunicação Digital da Universidade UNIP, em disciplinas práticas.
Confesso hoje, que no início seguia um certo pragmatismo e distanciamento ao dar aulas, comprometido muito mais em passar o conteúdo do que propriamente em me relacionar com o aluno e faze-lo aprender.
Esta tendência manteve-se e até ganhou ares de arrogância com meu ingresso no mestrado, onde fui bombardeado por muita informação e conhecimento e quis, ingenuamente (ou novamente com arrogância?) elevar o nível de minhas aulas com os novos conteúdos que aprendia.
Curiosamente, turma após turma, semestre após semestre, fui me aproximando mais e mais de meus alunos, me envolvendo com seus problemas, suas dúvidas e até amizades surgiram disso. Sem me dar conta, fui me tornando mais educador.
Neste final de semestre comecei a ler o livro Pedagogia da Autonomia de Paulo Freire e ainda não consegui mensurar o impacto que ele teve em mim. Estou repensando minha forma de dar aula, minhas responsabilidades e meu papel como professor e, principalmente, educador.
- O educador não pode aceitar preconceitos de nenhuma natureza seja contra quem for.
- O educador é um aprendiz e ao ensinar também aprende.
- O educador não deve por-se como ser superior, mas como agente do fomento do conhecimento a partir da curiosidade do aluno, auxiliando na sua busca por aprender, conhecer, estabelecendo métodos e orientando-o.
- O educador deve sempre aprimorar-se e nunca acomodar-se.
- O educador deve tomar posição em prol do que é certo e justo e nunca do que é apenas conveniente.
- O educador deve agir e buscar (além de incentivar) novas possibilidades, fomentar a criatividade.
- O educador nunca deve se acomodar ante paradigmas e dogmas, nem isolar-se do trato com os alunos.
- O educador deve se inserir no contexto social e ser agente ativo no processo de melhora desta sociedade, através da profusão do conhecimento e do espírito crítico.
- O educador deve sempre agir e defender a ética acima de qualquer coisa.
- O educador não deve ser arrogante com o conhecimento que possuir pois ele é agente deste conhecimento e não dono dele.
Estas são algumas impressões que pincei do livro e que ocuparão minha mente durante estas férias.
São urgentes a reforma e a reciclagem ao educador, que deve ter consciência da responsabilidade de seu ofício.
Atualmente, a educação no Brasil está muito doente, e, se aceitarmos esta situação (e pior, nos conformamos) a luta terá sido perdido de antemão.
Para encerrar, o educador não deve ceder ao fatalismo e ao conformismo.
abraços e até mais.


Um comentário:

Raul Tabajara disse...

Eu tive a sorte de conhecer o Paulo Freire há 3 anos, quando fiz faculdade de Arte-Educação. Na ocasião a professora de didática mostrou o livro "A pedagogia do oprimido" e disse uma coisa muito simples: O aluno que tem medo de levantar a mão, torna-se um cidadão passivo - o professor deve estimular o aluno a interagir na aula - e cortar os alunos que dizem "ih, o chato vai perguntar de novo"..